
Criação de Carla Jordão
Estreia prevista a 11 de outubro de 2026, no Auditório Osvaldo Azinheira - Academia Almadense
“Entre Braços” é uma peça sobre proximidade e com proximidade. O abraço humano é um gesto emocional moldado pela sociedade. Transmite e reproduz significados culturais sobre intimidade, afeto e pertencimento, expressando códigos sociais e políticos. Esta expressão ocorre nas pessoas através de movimentos físicos específicos: a extensão dos braços, a pressão do contacto, a duração do gesto, e as alterações nas relações de proximidade e distância entre os corpos.
Em “Entre Braços”, a autora explora a interação e interdependência entre o impulso emocional de abraçar e a construção social deste gesto. A sua fonte de inspiração e abordagem artística investigativa têm por base a metáfora do neurocientista António Damásio: «As emoções representam-se no teatro do corpo. Os sentimentos representam-se no teatro da mente». Aqui, ela encena o abraço como encontro entre estes dois teatros - onde o impulso emocional do corpo encontra as convenções sociais da mente. Segundo Damásio, as emoções representam-se no corpo e os sentimentos na mente. Com esta metáfora, o autor abre uma imagem do corpo e da mente como palcos, como locais de acontecimentos teatrais.
Carla Jordão investiga o potencial teatral do abraço humano - desde o impulso instintivo de buscar contacto até às elaboradas convenções culturais que determinam quando, como e quem podemos abraçar. O abraço será utilizado para revelar as normas culturais da intimidade: os códigos não escritos sobre duração adequada, intensidade apropriada, e os contextos sociais onde este gesto é permitido, esperado ou proibido. A peça explora como um gesto aparentemente simples e universal contém camadas complexas de significado político, social e emocional.
Carla Jordão é coreógrafa e performer. Com suas coreografias, surgem peças sobre a influência dos sistemas sociais no corpo humano. A sua linguagem artística minimalista e detalhada é marcada pela pintura, escultura e fotografia. Após a graduação em Dança e Performance na Escola Superior de Dança, em Lisboa (2004), Carla Jordão estudou, de 2014 a 2016, no mestrado em Composição de Dança na Folkwang Universität der Künste, em Essen. Nos seus trabalhos, ela abordou desde o início o ser humano como um ser social. Os aspectos das relações interpessoais e sociais são, desde então, uma parte essencial de sua prática artística. Ela trabalha estilísticamente com a transformação e recontextualização de referências de movimento e dança, incluindo elementos de ballet, dança contemporânea e moderna, movimentos baseados em animais, yoga, gestos quotidianos e os padrões individuais de movimento dos bailarinos. A partir dessas referências, surgem formas de movimento que sempre escapam, pouco antes do reconhecimento de uma fixação. Essa encenação eclética de movimento e corpo é por si colocada em contraste com situações cénicas minimalistas e geométricas. Nesse contexto, desempenham um papel importante especialmente o envolvimento transdisciplinar com as artes visuais. Assim surgiram, entre outros, trabalhos como "Needless, Needles" (nomeado para o Prémio de Teatro-Dança de Colónia 2018) que se baseia na obra homónima de Mary Bauermeister; uma interpretação coreografada de "A Noiva Despida por seus Celibatários, Mesmo..." de Marcel Duchamp (nomeada para o Prémio de Teatro-Dança de Colónia 2020), e coreografias site-specific para instalações de luz de Mischa Kuball, James Turrell, Keith Sonnier e Mario Merz no Centro para Arte Internacional da Luz Unna (2016). Em 2019, recebeu o Prémio de Teatro-Dança de Colónia com "A Universal Weakness", a primeira parte da série de peças "Universal", que trabalha gestos e convenções/constelações sociais. Em 2020, fundou a companhia de dança SPECIES.


